terça-feira, 31 de maio de 2011

Diretor do Dnit sugere queimar praça de pedágio se obra da BR-277 não sair

G1 PARANÁ, 31 de maio de 2011

Reivindicação é para duplicação da rodovia entre Cascavel e Medianeira.
Declaração foi dada em reunião com políticos no Oeste do Paraná.


“Qualquer coisa vamos queimar a praça de pedágio”. Esta foi a declaração do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot, em uma reunião com prefeitos, deputados federais e lideranças, em Cascavel, no Oeste do Paraná.

A BR-277 atravessa o Paraná e é uma das mais importantes do estado. O pedido pela duplicação do trecho entre Medianeira e Cascavel, na região Oeste, é antigo. São 70 km por onde passam turistas que vão a Foz do Iguaçu e caminhões que levam a safra até o Porto de Paranaguá, no litoral do estado.

Nos últimos dois anos, foram mais de dois mil acidentes no trecho com 84 mortes.

Em nota, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) condenou a atitude do diretor-geral do Dnit e afirmou que a declaração dele é uma incitação a desobediência civil.


Clique aqui para ver a
reportagem do ParanáTV 2ª edição,
da RPC TV Curitiba

Alvaro Dias: Requião assina CPI para investigar Palocci

ESTADÃO ONLINE, 31 de maio de 2011

Ex-governador assinou nesta terça-feira o documento. Com isso, a oposição contabiliza 19 assinaturas de senadores, sendo duas dos dissidentes da base governista, a de Requião e a do senador Jarbas Vasconcelos


O requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista, destinada a investigar as atividades como consultor do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, obteve nesta terça-feira (31) e o apoio do senador Roberto Requião (PMDB-PR). O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), informou que Requião assinou nesta terça-feira o documento. Com isso, a oposição contabiliza 19 assinaturas de senadores, sendo duas dos dissidentes da base governista, a de Requião e a do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

Requião presidia, por volta do meio-dia, a sessão da Comissão de Educação que ouvia o ministro da Educação, Fernando Haddad. A CPI contava com o apoio de outro governista, o senador Clésio Andrade (PR-MG), porém ele retirou a assinatura na semana passada, após pressão do Planalto.

O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), disse que dois de seus liderados, os senadores Pedro Simon (RS) e Luiz Henrique (SC), condicionaram o apoio à CPI às explicações que Palocci fornecer à Procuradoria-Geral da República (PGR). Já Alvaro Dias aposta na "debilidade" das explicações do ministro-chefe da Casa Civil para atrair o apoio de parlamentares da base aliada da presidente Dilma Rousseff. No caso de obter no Senado as 27 assinaturas, Dias admite que a investigação poderá ocorrer apenas na Casa, caso falte o apoio dos 171 deputados.

MPF denuncia 19 pessoas por falsificação de selos do Inmetro

GAZETA DO POVO, 31 de maio de 2011

Denúncias do MPF resultaram da Operação Olho-de-Boi que foi desencadeada pela Polícia Federal, em 12 de abril, em seis estados - incluindo o Paraná - e também no Distrito Federal


Dezenove pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal no Paraná (MPF) acusadas de falsificarem selos do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Os selos falsificados e até mesmo selos originais eram colocados em extintores de incêndio de veículos reciclados ou antigos. Os produtos eram revendidos como se tivessem sido recarregados e inspecionados.

As denúncias do MPF resultaram da Operação Olho-de-Boi que foi desencadeada pela Polícia Federal (PF), em 12 de abril, em seis estados - incluindo o Paraná - e também no Distrito Federal. No dia da operação, cinco pessoas foram presas em São Paulo e uma em Curitiba. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de Curitiba.

No Paraná, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Curitiba, Dois Vizinhos, Sudoeste do Paraná, Engenheiro Beltrão, no Noroeste do estado, e Nova Esperança do Sudoeste, no Sudoeste do Paraná.

Os 19 acusados foram denunciados por formação de quadrilha ou bando, corrupção ativa e passiva, falsificação e uso indevido de selos do Inmetro.

Segundo o MPF, o grupo agia em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Bahia e Distrito Federal, além do Paraná.

MP-PR requer suspensão de reajuste da tarifa de ônibus em Paranaguá

GAZETA DO POVO, 31 de maio de 2011

Segundo órgão, transporte coletivo municipal apresenta vários problemas além da tarifa alta, como má qualidade no serviço e tratamento desigual entre usuários


O Ministério Público do Paraná (MP-PR), por meio da Promotoria de Justiça de Proteção do Consumidor de Paranaguá, apresentou, na última quarta-feira (25), uma ação civil pública contra o município e a empresa Viação Rocio, que presta o serviço de transporte coletivo na cidade. Entre outras medidas, a promotoria solicita, liminarmente, a suspensão do reajuste das tarifas e o fim do tratamento diferenciado entre os usuários.

O MP-PR argumenta que há ilegalidades na planilha de cálculo apresentada pela empresa para fundamentar o último reajuste tarifário, ocorrido em dezembro, quando o valor da passagem subiu de R$ 2,10 para R$ 2,50, sendo que usuários do cartão VIP, oferecido pela empresa, pagam R$ 2,40.

Além disso, segundo o MP-PR, há uma série de problemas nos serviços prestados pela empresa no município. Há um tratamento desigual entre os usuários que possuem o cartão VIP da empresa e o que não têm. Neste caso, o usuário perde o direito à integração e paga uma tarifa mais cara. Para o órgão, o serviço ainda é de má qualidade porque há muitos atrasos, pouca oferta de linhas e terminais em situação precária.

A promotora responsável pelo caso, Ana Paula Pina Gaio, relata que desde 2007 o MP-PR apura notícias de irregularidades no transporte coletivo da cidade. A promotoria já recebeu solicitações de providências não apenas da comunidade, mas também de entidades representativas, como a União Municipal das Associações de Moradores de Paranaguá (Unamp).

Outro lado - A Gazeta do Povo entrou em contato com a empresa Viação Rocio, que informou que já recebeu a notificação e encaminhou o processo para o setor jurídico da empresa, que dará um parecer sobre o assunto.

Já a prefeitura de Paranaguá, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que ainda não recebeu notificação oficial sobre o assunto. A prefeitura considera que não foi omissa nas questões referentes ao transporte público municipal, tanto que recentemente realizou uma audiência pública para discutir melhorias no serviço para a população, como a discussão de novas rotas.

Prefeito paranaense teria contratado empresas fantasmas de telefonia

BONDE 31 de maio de 2011

Prefeito da cidade de Maria Helena (32 km a nordeste de Umuarama) é acusado de ter causado rombo nos cofres municipais de mais de 100 mil reais. Serviço contratado nunca foi prestado


A Promotoria de Justiça de Proteção do Patrimônio Público de Umuarama ingressou nesta terça-feira (31), com ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o prefeito da cidade de Maria Helena (32 km a nordeste de Umuarama), Osmar Trentini.

O Ministério Público acusa o gestor municipal e outras 12 pessoas de fraude em licitação e pagamentos irregulares para a contratação de serviços de telefonia a empresas-fantasma. O desfalque nos cofres municipais chegou a R$ 109.802,80 (valores atualizados até março de 2011). Os fatos teriam sido realizados entre 2005 e 2008. Além de Trentini são requeridos servidores municipais, empresas privadas e sócios.

Segundo apurado pelas investigações, os pagamentos, por serviços de telefonia com tecnologia "VOIP" que jamais foram prestados ao Município, teriam beneficiado as empresas A. Jacob Telecom Me, com sede em Apucarana, e Alô Grátis. Com Mídia Eletrônica LTDA, de Curitiba. As duas seriam empresas de fachada, sem registro junto a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). "Há fortes indícios de que as mesmas teriam sido criadas com a exclusiva finalidade de fraudar licitações e desviar dinheiro público, conforme verificado pelo próprio Tribunal de Contas em inspeção externa em vários municípios da região, inclusive em Umuarama", afirma o promotor de Justiça Fabio Hideki Nakanishi, responsável pela ação. Ele conta que, para averiguar essa questão, foi aberto hoje inquérito civil na Promotoria.

O MP requer liminarmente a indisponibilidade de bens dos réus, como garantia do ressarcimento do prejuízo causado ao erário de Maria Helena, além da condenação por ato de improbidade, o que pode levar a sanções como a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, devolução dos valores supostamente desviados aos cofres públicos e multa.

Paraná cancela, em definitivo, aposentadoria de ex-governadores

O GLOBO, 31 de maio de 2011


O governo do Paraná anunciou nesta terça-feira o cancelamento em definitivo da aposentadoria a ex-governadores concedida após promulgação da Constituição de 1988. A decisão é baseada em parecer da Procuradoria Geral do Estado, amparada na justificativa de que o benefício não está previsto no texto constitucional.

Quatro ex-governadores tiveram sua aposentadoria cancelada: Roberto Requião (1991-1994 e 2003-2010), Mario Pereira (1994), Jaime Lerner (1995-2002) e Orlando Pessuti (2010). Todos vinham recebendo R$ 24.117,62 por mês - o equivalente ao vencimento do governador em exercício, Beto Richa (PSDB).

Em março deste ano, Richa já havia suspendido o pagamento das aposentadorias baseando-se no mesmo parecer. Na prática, no entanto, o valor não deixou de ser pago, uma vez que os ex-governadores entraram com recurso na Justiça.

De acordo com o Procurador Geral do Estado, Ivan Bonilha, a mesma posição foi adotada pela Procuradoria Geral da República (PGR), que deu parecer favorável à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve analisar a ação nas próximas semanas.

A decisão da PGE, no entanto, é considerada parcial por ex-governadores, uma vez que não cancela a aposentadoria vitalícia no período anterior a 1988. O governo do estado alega que, no período de 1967 a 1988, as pensões para ex-governadores e viúvas, assim como para ex-presidentes, estava prevista na Constituição. No Paraná, a lei abrange os ex-governadores João Elísio Ferras de Campos (1986-1987) e Alvaro Dias (1987-1990), que recentemente requereu a aposentadoria retroativa, recebendo cerca de R$ 1 milhão, e o de Arlete Richa, viúva de José Richa, pai do atual governador do Paraná.

Em março deste ano, quando o governo do estado suspendeu a aposentadoria de quatro ex-governadores, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) comentou no microblog twitter: "Se é imoral Beto (Richa), corte tudo".

A aposentadoria também foi mote para que o peemedebista agredisse e arrancasse o gravador de um repórter quando este o indagava sobre os custos das aposentadorias sobre as contas do estado.

Levantamento feito pela PGE, no início do ano, mostra que ao menos 135 pessoas recebem pensão vitalícia ou pensão por meio de leis estaduais. O custo anual aos estados é de R$ 30 milhões.

Em um ano, "Pé na Faixa" multou mais de mil motoristas

BONDE, 31 de maio de 2011

Em Londrina, avançar a faixa de pedestres dá multa de R$ 191 e o motorista também perde sete pontos na carteira de habilitação


No dia 31 de maio de 2010, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina começou a multar motoristas na campanha "Pé na Faixa". Passado um ano de fiscalização, 1.022 foram autuados por desrepeitar a sinalização da campanha. Por não priorizarem o pedestre em pontos estratégicos na cidade, cada um foi penalizado com a perda de sete pontos na carteira de habilitação e multa de R$ 191,54, conforme prevê o artigo 214 da Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Com o lema "Atitude depende do primeiro passo", a campanha "Pé na Faixa" foi oficialmente lançada no dia 18 de setembro de 2009, mas só no último dia de abril de 2010 é que os motoristas começarama ser autuados. No primeiro dia de fiscalização, 84 foram multados; nos primeiros dez dias o total já era de 513; e outros 509 no restante desse período de um ano, totalizando 1022 motoristas punidos, de acordo com as informações da assessoria de imprensa da CMTU.

O diretor de trânsito da CMTU, Wilson de Jesus, considerou que, apesar da drástica redução no número de atuações, a campanha pegou. Ele destacou que no primeiro momento é necessária a fiscalização com multa, mas o principal foco é que os motoristas passem a respeitar os pedestres, e os pedestres saibam como proceder ao atravessar uma rua.

"Eu acredito que pegou sim, mas para pegar de vez ainda vai precisar de mais três ou quatro anos. O 'Pé na Faixa' é uma campanha de trânsito que estamos somando com outras. O principal objetivo é a educação, porque tudo o que consta lá está no Código Brasileiro de Trânsito. Com um conjunto de ações acredito que teremos êxito no objetivo de um trânsito mais seguro".

Wilson de Jesus comentou que em alguns pontos sinalizados com placa o índice de motoristas que param para o pedestre atravessar na faixa chega a 90%, em compensação, em outros pontos, o índice é baixo, por isso é preciso observação constantes da CMTU.

"Existem alguns pontos em que 90% dos motoristas param para que o pedestre atravesse na faixa, com por exemplo na avenida Bandeirantes, em frente ao Hospita Evangélico, e na rua João Cândido, próximo ao Calçadão. Em compensação, alguns pontos são caóticos e por isso necessitam de observação constante. No cruzamento entre o final do Calçadão e a rua Minas Gerais foi necessário a instalação de um semáforo, devido ao intenso movimento de pedestres e de veículos. Outro ponto onde está sendo estudado a instalação de semáforo é na avenida Duque de Caxias, em frente a prefeitura, e também na avenida Leste-Oeste, próximo ao Terminal Central. Na rotatória do Moringão, com os reparos que estão sendo feitos no asfalto, vamos fazer uma readequação das faixas de pedestres"

Sobre a continuidade da campanha "Pé na Faixa", o diretor de trânsito da CMTU explicou que todos dias são promovidas blitze educacionais em escolas, igrejas e outro pontos da cidade, orientando crianças, jovens e idosos. Outro ponto ressaltado pelo diretor é que desde março de 2010 uma equipe específica na CMTU trabalha para pensar em ações no trânsito de forma integrada, para serem instaladas a médio e longo prazo.

Para Wilson de Jesus é importante a fiscalização, mas mesmo assim ainda existem motoristas que insistem em desrespeitar as regras do trânsito, por isso a necessidade de multa. "As pessoas precisam pensar a vida como o maior patrimônio. Antes de justificar uma conduta imprudente é melhor mudar essa conduta. Dirigir com cuidado, respeitando os limites".

Senado aprova plebiscito sobre criação do estado de Tapajós

G1, 31 de maio de 2011

Novo estado ocuparia cerca de 58% da área total do Pará. Plebiscito sobre criação de Carajás, também no Pará, já foi aprovado


O plenário do Senado aprovou na tarde desta terça-feira (31) o projeto que prevê a realização de plebiscito sobre a criação do estado de Tapajós, que seria uma divisão do estado do Pará.

A matéria já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. E, em 5 de maio, o plenário da Câmara já havia aprovado um decreto legislativo que autoriza realização de plebiscito sobre a criação de Tapajós, que estaria localizado a oeste do Pará, ocupando cerca de 58% da área total do estado. Ao todo, 27 municípios estão previstos para o estado de Tapajós, que teria Santarém como capital.

Após a promulgação da proposta pelo presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), o plebiscito poderá ser realizado em até seis meses, de acordo com a organização da Justiça Eleitoral.

Carajás - O Congresso já aprovou projeto que prevê um plebiscito sobre a criação do estado de Carajás, que estaria localizado a sul e sudeste do Pará e teria como capital a cidade de Marabá.

O novo estado seria formado por 39 municípios, com área equivalente a 25% do atual território do Pará.

PPS quer investigar repasse de R$ 1 milhão a cunhada de Palocci

FOLHA DE S. PAULO, 31 de maio de 2011


A Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto, entidade que tem como vice-presidente uma cunhada do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), recebeu, entre 2008 e 2010, R$ 1 milhão do governo federal, de acordo com levantamento feito pelo PPS na Câmara dos Deputados.

O PPS anunciou na tarde desta terça-feira que vai pedir cópia de toda a documentação dos convênios firmados entre os ministérios do Turismo e da Cultura e a Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto.

A entidade tem como vice-presidente Heliana da Silva Palocci. Ela é mulher de um irmão de Palocci.

Do total repassado, R$ 550 mil vieram de convênios cujos recursos foram garantidos por meio de duas emendas apresentadas pelo então deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) em 2008 e 2009.

Como a Folha revelou em 22 de maio, Palocci apresentou emenda de R$ 250 mil ao Orçamento 2009, indicando como beneficiária a Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto. Outra emenda, no valor de R$ 300 mil, foi apresentada na lei orçamentária do ano seguinte.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias veda a destinação de recursos a entidades privadas dirigidas por parentes de agentes políticos dos três Poderes, mas não prevê sanções para quem desrespeita a regra.

As emendas de Palocci foram pagas pelo Ministério do Turismo, que firmou convênios com a entidade para promover edições da Feira do Livro de Ribeirão, município paulista onde o ministro começou a carreira política.

Ao apresentar as emendas, o então deputado justificou a indicação dizendo ser necessária "ajuda financeira federal para que se garanta a continuidade" do evento. De acordo com a justificativa do então deputado, a feira é um "evento cultural-artístico-turístico de impacto e repercussão que ultrapassam em muito os limites geográficos do nordeste do Estado de SP".


Outro lado - Sobre as emendas, Palocci disse à Folha, por meio da assessoria de imprensa, que cabe ao ministério analisar os repasses. "A análise das transferências de recursos para o setor privado compete ao ministério responsável pela execução das ações", informou via assessoria em 20 de maio.

O Ministério do Turismo informou que o projeto da Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto passou pela análise da pasta, "que considerou que a proposta apresentada satisfazia às exigências técnicas e legais para a celebração do convênio". O ministério não comentou o fato de o autor da emenda ter indicado o repasse para entidade ligada a uma cunhada dele.

Também por meio da assessoria, a entidade esclareceu que a cunhada de Palocci ocupa o cargo de vice-presidente da Feira do Livro porque é "educadora, tem escola e grande prestígio" em Ribeirão Preto. Informou também que os recursos são captados por meio de lei de incentivo cultural e junto a patrocinadores.

Patrimonio - Além de ter aumentado em pelo menos 20 vezes o próprio patrimônio entre 2006 e 2010 -- o ministro comprou um apartamento de luxo e um escritório em São Paulo --, sua empresa de consultoria faturou R$ 20 milhões no ano passado.

Palocci nega ter cometido irregularidades na condução de seus negócios privados.

Ganho de R$ 1 milhão em fusão reforça suspeitas contra Palocci, diz oposição

O ESTADO DE S. PAULO, 31 de maio de 2011


A revelação de que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, recebeu R$ 1 milhão para assessorar um processo de fusão de empresas, que necessita de aval de órgãos do governo, desencadeou críticas na oposição e pressão sobre parlamentares da base aliada para que assinem o requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os negócios do ministro.

O valor da assessoria de Palocci foi revelado ao Estado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Segundo o petista, foi o próprio Palocci quem disse ter recebido este montante durante reunião com a bancada do PT e a presidente Dilma Rousseff na semana passada. O ministro não disse aos petistas que empresas ajudou a se unir.

Para o presidente do DEM, José Agripino (RN), ao falar de valores o próprio ministro levanta dúvidas sobre seu trabalho. “É uma demonstração de que o próprio ministro Palocci tinha consciência que os serviços que estava prestando talvez não valessem tanto”.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), afirma que ao não revelar os clientes o ministro reforça a suspeita de prática de ilícitos. “Consultoria implica em produção intelectual, está ficando claro que a ação dele (Palocci) pode não ter sido de consultoria, mas de tráfico de influência, de lobby”.

Atualmente, as fusões envolvendo empresas que tenham faturamento superior a R$ 400 milhões estão sujeitas a apreciação de órgãos de controle. A Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda e a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça fazem a parte de instrução do processo e o Conselho Administrativa de Defesa Econômica (Cade) decide pela aprovação ou não da união entre empresas.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) reafirmou que os parlamentares governistas estão sendo orientados a não assinar a CPI. Para ela, Palocci só vai precisar revelar para quem trabalhou se isso for exigido por algum órgão de controle, como o Ministério Público. “Ele não quer revelar e é um direito que ele tem e agora depende apenas se os órgãos de controle vão exigir isso ou não”. Presente à reunião em que Palocci teria revelado o recebimento de R$ 1 milhão para assessorar uma fusão, a senadora disse não se lembrar de valores.

Os problemas de Belo Monte

O ESTADO DE S. PAULO, 31 de maio de 2011


Obra polêmica, principalmente pelos seus impactos socioambientais, que continua a provocar protestos das populações ribeirinhas e de indígenas, a Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Estado do Pará, enfrenta agora problemas de engenharia financeira. Cinco construtoras já desistiram de participar do consórcio Norte Energia, liderado pela Chesf, subsidiária da Eletrobrás, vencedor do leilão realizado em abril de 2010. A razão é o custo do empreendimento, inicialmente estimado em R$ 19 bilhões, depois revisado para R$ 29 bilhões, e que agora se estima em R$ 35 bilhões. Tudo faz crer que a participação privada na obra será mínima, com um uso bem maior do que o previsto de recursos públicos.

Segundo uma fonte citada por O Globo (26/5), "está todo mundo em pânico" com os números consolidados para investimento e já se fala em "novas benesses" do governo. O noticiário não identifica quais, mas tudo indica que seriam mais financiamentos a um custo bastante inferior aos de mercado. Pelo que foi noticiado na época do leilão, o BNDES deveria financiar 80% dos investimentos em Belo Monte, o que significaria R$ 15,2 bilhões. Sendo a obra orçada agora em US$ 35 bilhões, os financiamentos do banco corresponderiam a R$ 28 bilhões nos próximos cinco anos, prazo estimado da construção da nova usina. A questão é saber se haverá recursos para tanto.

A Chesf, porém, não parece preocupada com a saída de empresas do consórcio. "Nós, concessionários, preferimos não ter construtoras (pequenas) no grupo", declarou José Ailton, integrante do conselho de administração da Norte Energia. Segundo José Ailton, há muita gente interessada no projeto. O fato é que, com a desistência das construtoras, fica aberto no consórcio um rombo de 7,25% de participação, sem contar os 9% que ficaram com a Vale do Rio Doce, que tomou o lugar da Bertin. Como a Vale, outros potenciais usuários da energia de Belo Monte poderiam também ingressar no grupo.

Uma possibilidade sempre lembrada é aumentar a fatia dos fundos de previdência de empresas estatais, como Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa Econômica Federal). Os fundos de pensão, mesmo de estatais, são instituições de direito privado, mas, como é sabido, o governo tem meios de "convencê-los" a participar de seus grandes projetos.

O essencial é que a construção de Belo Monte deixe de ser vista como uma bandeira política do governo, para que os obstáculos possam ser superados a partir de critérios empresariais. Apesar das críticas dos ambientalistas, são muitos hoje os empresários e técnicos independentes que defendem o uso do potencial hídrico da Amazônia para geração de energia, alegando que o País não dispõe de melhores alternativas a médio prazo.

Depois do desastre de Fukushima, a expansão das usinas nucleares será conduzida com cuidados redobrados. A alternativa seria recorrer a termoelétricas movidas a óleo combustível, ou diesel, ou, na melhor das hipóteses, a gás natural. Ou seja, a recursos não renováveis e poluentes. O aumento da potência de hidrelétricas já em funcionamento e a cogeração de energia pelas usinas de cana-de-açúcar são de grande utilidade, mas não serão suficientes. Já o uso mais intenso da energia solar e da energia eólica não é ainda economicamente viável em grande escala, podendo apenas suprir lacunas no fornecimento de eletricidade. Para poder crescer a taxas que satisfaçam suas necessidades, o País precisa adicionar anualmente 5,8 mil MW na capacidade de geração de eletricidade e terá de buscá-los, em grande parte, nos rios amazônicos.

Para isso, devem prosseguir as negociações com as populações atingidas, que têm direito a uma compensação pelos danos sofridos. Ao lado disso, há que evitar os erros cometidos no início da construção das Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. A Usina de Belo Monte também deve atrair milhares de trabalhadores para a região vizinha, o que pode ocasionar tumultos. Para evitá-los, cabe aos construtores, em parceria com o Estado, fazer investimentos adequados na área social.

À moda da tucanagem

O ESTADO DE S. PAULO, Dora Kramer, 31 de maio de 2011


Na hora H tudo aparentemente se ajeitou no PSDB.

O partido deixou claro que, se a eleição presidencial fosse hoje e condições alheias à mera vontade permitissem, o senador Aécio Neves seria o candidato. Mas deixou patente também que não rasga voto nem pode abrir mão de José Serra, que já disputou e levou duas eleições presidenciais ao segundo turno.

Se a situação fosse simplesinha poder-se-ia descrevê-la assim: Aécio tem a preferência do partido, Serra tem presença na sociedade.

Aniquilar um em favor do outro seria ignorar o quanto são detentores de patrimônios complementares. Por isso, uma imprudência de resultado nitidamente previsível.

Frase precisa do deputado e ex-governador da Bahia Antonio Imbassahy: "Não podemos continuar fazendo dessa soma um déficit". Referia-se também ao fato de que ambos são fortes nos dois maiores colégios eleitorais do País, hoje governados pelo PSDB: São Paulo e Minas Gerais.

O ideal, dizia-se nas rodas de conversas na convenção nacional dos tucanos de sábado último em Brasília, seria que pudessem disputar e eventualmente governar juntos. Não fosse essa uma conjunção utópica, dadas as diferenças amazônicas que os separam e a carência de apreço pessoal mútuo.

Ante a impossibilidade objetiva, o partido optou por uma acomodação com vistas a adiar, e se possível evitar, um confronto mortífero.

A divisão ficou assim estabelecida: nos dois principais postos da Executiva, a presidência e a secretaria-geral, respectivamente um simpatizante e um aliado de Aécio: Sergio Guerra e Rodrigo de Castro. Na primeira vice-presidência, um serrista: Alberto Goldman.

Na presidência do Instituto Teotônio Vilela, um antipatizante de Serra: Tasso Jereissati. O ITV não decide, mas tem verba (uns dizem R$ 10 milhões, outros R$ 6 milhões por ano), presença - ou "capilaridade", como gostam de dizer os políticos - ampla em todo o País e uma tribuna.

No Conselho Político a presidência ficou com Serra, que conseguiu mudanças importantes: um colegiado enxuto, com poder deliberativo, verba (ainda não definida), endereço, estrutura e atribuições nada desprezíveis.

Será a instância onde se decidirão as diretrizes do partido, as formas de escolha de candidatos a todas as eleições e política de alianças, fusões e incorporação a outras legendas.

O poder é paralelo ao da Executiva e ambos respondem apenas ao Diretório Nacional. O conselho é composto por Fernando Henrique Cardoso, na condição de ex-presidente da República, pelo atual presidente do PSDB Sérgio Guerra e o ex-presidente Tasso Jereissati, por Aécio Neves como representante do Congresso e por Marconi Perillo, representando os governadores.

Terá reuniões bimensais, a primeira daqui a mais ou menos dez dias, cuja pauta ainda será definida, mas já está mais ou menos delineada: um diagnóstico sobre as necessárias correções no exercício da oposição ao PT e área de influência.

E com isso estará tudo resolvido? Nem de longe.

A tensão permanece. Serristas atrás de recuperar o terreno perdido em virtude da campanha presidencial pessimamente avaliada no âmbito interno e aecistas empenhados em fixar domínio do território.

Com o seguinte discurso: Serra poderá ser até mesmo candidato à Presidência em 2014 se Aécio não quiser (ou não puder, evitam acrescentar). Mas não dando as cartas do jeito que bem entender.

Celular pode provocar câncer, segundo Organização Mundial da Saúde

ESTADÃO ONLINE, 31 de maio de 2011

O grupo classificou os telefones celulares na categoria 2B. Outras substâncias nesta mesma categoria são o pesticida DDT e o gás expelido por motores movidos a gasolina


Depois de revistar os detalhes de uma série de estudos publicados, um painel internacional de especialistas concluiu que telefones celulares podem ser cancerígenos para os seres humanos. O comunicado do grupo foi divulgado nesta terça-feira em Lyon, França, pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer após uma semana na qual os especialistas ficaram reunidos.

Eles revisaram as possíveis ligações entre câncer e o tipo de radiação eletromagnética encontrada em telefones celulares, micro-ondas e radares. A agência é o braço para o estudo do câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS). As conclusões do grupo serão enviadas para a OMS e para agências nacionais de saúde e podem servir como guia para o uso de telefones celulares.

O grupo classificou os telefones celulares na categoria 2B, o que significa que são possivelmente cancerígenos para humanos. Outras substâncias nesta mesma categoria são o pesticida DDT e o gás expelido por motores movidos a gasolina.

No ano passado, os resultados de um grande estudo não mostraram ligação clara entre telefones celulares e câncer. Mas alguns grupos afirmam que o estudo levantou sérias preocupações, porque mostrou uma sugestão de uma possível ligação entre uso prolongado de telefone celular e o glioma, um tumor de cérebro raro, mas geralmente mortal. No entanto, os números desse subgrupo não foram suficientes para formar um caso de estudo.

O estudo foi controverso porque começou com pessoas que já tinham câncer. Foi perguntado a elas com que frequência usavam seus telefones celulares mais de uma década atrás. Em outros cerca de 30 estudos feitos na Europa, Nova Zelândia e nos Estados Unidos, pacientes com tumores cerebrais não relataram o uso de seus celulares com mais frequência do que pessoas sem a doença.

Comparação

Como o uso de celulares é muito popular, pode ser impossível para os especialistas comparar usuários do aparelho que desenvolveram tumores cerebrais com pessoas que não usam o celular. De acordo com uma pesquisa realizada no ano passado, o número de assinantes de telefonia celular em todo o mundo havia atingido 5 bilhões, ou quase três quartos da população de todo o planeta.

Os hábitos de uso do aparelho também mudaram muito desde que os primeiros estudos tiveram início anos atrás e não está claro se os resultados de pesquisas anteriores ainda se aplicam atualmente. Tendo em vista que muitos tumores cancerígenos levam décadas para se desenvolver, os especialistas dizem que é impossível concluir que celulares não representam riscos para a saúde no longo prazo.

Os estudos realizados até agora não acompanharam pessoas por mais de uma década. Os aparelhos enviam sinais para torres próximas por meio de ondas de rádio, uma forma de energia semelhante às ondas de rádio FM e às de micro-ondas. Mas a radiação produzida pelos celulares não pode danificar diretamente o DNA e é diferente de tipos mais fortes de radiação como o raio X ou luz ultravioleta.

Em níveis muito altos, ondas de rádio de telefones celulares podem aquecer o tecido do corpo, mas não acredita-se que possa danificar células humanas. Segundo o Instituto de Pesquisa sobre Câncer da Grã-Bretanha, o único risco à saúde realmente ligado aos celulares é o alto risco de acidentes de carro. O grupo recomenda que crianças abaixo dos 16 anos usem celulares apenas para ligações essenciais porque seus cérebros e sistemas nervosos ainda estão em desenvolvimento.

Um estudo recente do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos mostrou que o uso do telefone celular pode acelerar a atividade cerebral, mas não se sabe se há efeitos perigosos para a saúde. As informações são da Associated Press.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vereadores de Londrina aprovam por unaminidade abertura da CEI da Centronic

JORNAL DE LONDRINA, 26 de maio de 2011

Dois dias depois de aprovarem a CEI da Saúde, parlamentares abrem nova investigação contra o prefeito Barbosa Neto. Desta vez, para investigar denúncias de que vigilantes pagos pela Prefeitura trabalhavam na rádio do prefeito


Os vereadores de Londrina aprovaram, na tarde desta quinta-feira (26), por 17 votos a abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Centronic. A aprovação foi por unaminidade, já que os vereadores Padre Roque e Rodrigo Gouveia não estavam presentes na sessão. Os parlamentares têm cinco dias para indicar os nomes dos integrantes da CEI.

Os vereadores querem investigar a denúncia do Ministério Público (MP) de que vigilantes da empresa de segurança recebiam pagamento pela Prefeitura, mas trabalhavam na rádio Brasil Sul, do prefeito Barbosa Neto (PDT). O prefeito chegou a desafiar os parlamentares a abrirem a comissão.

Autor do pedido, o vereador Joel Garcia (PTN) afirmou que a CEI irá elucidar as denúncias e chegará a verdade. Até o vereador Roberto Fú (PDT), do mesmo partido do prefeito, votou a favor da abertura das investigações.

O caso - No dia 3 de maio, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público protocolou uma ação por improbidade administrativa contra o prefeito. Como não houve pedido de liminar, Barbosa não corre o risco de ser afastado do cargo. O promotor afirmou que entre as provas que sustentam a denúncia estão documentos apreendidos na casa do gerente da Centronic em Londrina, Paulo Iora, no ano passado, no procedimento que investiga a denúncia de que a empresa pagaria propina ao ex-secretário de Gestão Pública e hoje vereador Jacks Dias (PT).

Na ocasião, o prefeito avaliou como “indevida” a ação do MP. Ele disse que não há nenhuma prova que possa incriminá-lo. Barbosa ressaltou que está a disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários. “Não vejo a hora de ser ouvido e possa provar a minha inocência, porque quanto mais tempo isso dura é pior para mim. Todos os meus bens já foram colocados à disposição, meu sigilo bancário, telefônico e fiscal. Já pedi o rastreamento de todos os pagamentos para ter total transparência nessa apuração.”

Sem citar nomes, mas fazendo várias insinuações, o prefeito justificou as denúncias como o início do processo eleitoral para as eleições municipais de 2012. Ele disse que as acusações partiram de pessoas ligadas a vereadores. “Alguns dos que denunciaram já tem ligações políticas históricas e ligações com o vereador que também está sendo investigado por contratos com a Centronic”, disse.

Para o prefeito, a atual administração não teve nenhuma vantagem com a Centronic, pois o contrato foi rompido. “Não fomos nós quem assinamos o contrato, com a empresa, mas rompemos ele quando a Centronic foi declarada inidônea. Há interesses eleitorais dos antigos gestores do contrato.”

Ex-secretário de Saúde de Londrina diz que institutos “apareceram de repente”

JORNAL DE LONDRINA, 26 de maio de 2011

Agajan Der Bedrossian ocupava a pasta quando os institutos Atlântico e Gálatas foram contratados pela Prefeitura. Em entrevista, ele disse que não desconfiava de irregularidades nos contratos. Secretário de Gestão Marco Cito também prestou depoimento


O secretário municipal de Gestão Pública, Marco Cito, chegou, por volta das 15h50 desta quinta-feira (26), no prédio do Ministério Público de Londrina para prestar depoimento aos promotores e o delegado Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Operação Antissepsia. Cito é o quinto integrante do primeiro escalão da administração municipal a ser convocado pelo MP.

Na ata da reunião do Conselho Municipal de Saúde, que definiu a escolha dos institutos Gálatas e Atlântico, suspeitos de desviarem recursos públicos da saúde, o então secretário Agajan der Bedrossian disse que a definição sobre as entidades para os serviços de saúde partiria diretamente da Secretaria de Gestão Pública.

Já o secretário Marco Cito disse que submeter a decisão ao conselho foi uma forma democrática que o ex-secretário encontrou. E como era um contrato emergencial, a definição final seria da própria Secretaria de Saúde.

Em entrevista coletiva, o ex-secretário de Saúde, Agajan Der Bedrossian, disse que defendia a contratação da HUTec e da Santa Casa para prestar os serviços para os quais foram contratados Gálatas e Atlântico. Segundo ele, a administração municipal informou que “não seria viável” contratar Santa Casa e HUTec. “Não convidei nenhum instituto, eles apareceram de repente”, completou Agajan. O ex-secretário negou “influências” ou “ingerência externa” na sua gestão na Secretaria de Saúde.

O ex-secretário de Saúde confirmou que quando ele voltou depois de alguns dias de folga, em janeiro, três diretores indicados por ele para a Secretaria estavam exonerados. Segundo ele, as exonerações foram assinadas pela atual secretária de Saúde, Ana Olympia, que exerceu o cargo nos seus dias de folga. “A minha equipe era de confiança e foi mudada por quem ficou no cargo me substituindo”, declarou.

Agajan não afirmou se houve algum tipo de interferência externa à Secretaria no episódio da exoneração dos seus três diretores. Ele disse nunca ter “desconfiado de alguma irregularidade” nos contratos.

Depoimento - Pela manhã, quem prestou depoimento foi o secretário de Planejamento Fábio Goes. Ele foi convocado pelos promotores para falar sobre o período em que foi chefe de gabinete da Prefeitura de Londrina, antes de voltar para a Secretaria de Planejamento. Aos jornalistas, os promotores disseram que o secretário informou não ter presenciado problemas e que todos os contratos da prefeitura eram sempre tratados no gabinete pelo vice-prefeito José Ribeiro.

Duas pessoas continuam foragidas - Além do publicitário Ruy Nogueira, que continua foragido, Ricardo Ramirez, que era ligado ao instituto Atlântico, também é considerado foragido. Ele teve a prisão temporária decretada na quarta-feira (25).
Com Ramirez, chega a 23 o número de pessoas que já tiveram a prisão decretada desde a deflagração da Operação Antissepsia, no dia 10 deste mês.

A operação
A Operação Antissepsia foi deflagrada em 10 maio depois de o Ministério Público receber denúncias de um suposto esquema de desvio de recursos da área da saúde envolvendo os institutos Atlântico e Gálatas. O ex-procurador Geral do Município Fidélis Canguçu e mais 14 pessoas foram presas. Canguçu foi exonerado do cargo depois do anúncio da prisão. Quatro dos presos foram liberados no mesmo dia após fazer acordo.

Foram apreendidos R$ 20 mil em dinheiro com Canguçu, além de três armas e diversos documentos na Procuradoria, no prédio da Prefeitura e nos institutos. Ao todo, 30 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Londrina, Cambé, Arapongas, Bela Vista do Paraíso e Jataizinho.

A investigação começou há quatro meses, por conta de denúncias de empresários que teriam sido procurados para dar notas fiscais frias para justificar serviços prestados pelas Oscips.

O papel de Fidélis Canguçu no esquema seria o de fazer a abordagem aos institutos para cobrar a propina. A moeda de troca para receber a propina seria a liberação dos pagamentos dos valores pelos serviços prestados. Um dos institutos teria pago em torno de R$ 120 mil de propina a Canguçu.



"Eu não apresentei nenhuma empresa", diz Marco Cito
BONDE,
26 de maio de 2011

Secretário de Gestão Pública vai ao Gaeco prestar depoimento e diz que chegou a pedir para que a Santa Casa assumisse o serviço em Londrina


O Secretário Municipal de Gestão Pública, Marco Cito, negou que tenha referendado o nome de algum instituto para exploração dos serviços de saúde básica em Londrina. Ele prestou depoimento por mais de uma hora na tarde desta quinta-feira (26), ao delegado do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore.

Ao deixar o local, Cito concedeu uma longa entrevista coletiva e explicou como foram as contratações dos institutos Gálatas e Atlântico. As oscips são acusadas de desvio de recursos e pagamento de propina para agentes públicos. 21 pessoas foram presas na Operação Antissepsia.

O nome de Cito foi citado pelo vice-presidente da Associação Médica de Londrina, José Carlos Camargo, que também é membro do Conselho Municipal de Saúde. O médico acusou o secretário de ter indicado o Instituto Atlântico. "Eu não apresentei nenhuma empresa. Se a gente fosse contratar a equipe mais barata seria a Beija Flor, que eu sabia que era de propriedade do Juan Monastério. Nem sequer cogitamos a hipótese", disse. No entanto, ele enfatizou que no processo foram pedidas empresas de Londrina. "Houve, justamente, para que fossem duas de Londrina. Eu, pessoalmente, tive uma reunião com as escolha das empresas. Foi junto com o Ribeiro (vice-prefeito), com o Lindomar (ex-secretário de Fazenda) e doutor Faad (superintendente Irmandade Santa Casa). Foi quando eu pedi, pessoalmente, para que a Santa Casa assumisse", afirmou.

A Santa Casa e o HU Tec não foram escolhidos pelo alto preço no certame.

O secretário confirmou que teve uma conversa com o ex-procurador Fidélis Canguçu, preso na operação, sobre o pagamento aos institutos. "Quando nós estávamos chegando na quarta parcela, eu tive uma conversa verbal com ele no gabinete, esperando uma reunião, falando que nós não iríamos pagar a quarta também. Ele (Fidélis) falou naquele momento que tínhamos que pagar, porque daria uma insegurança jurídica e o instituto poderia reclamar depois que o município não estaria fazendo a sua parte", comentou. Marco Cito não questionou por "não ser a área dele", embora seja advogado também.

Marco Cito afirmou que teve um contato informal com publicitário Ruy Nogueira, foragido da Justiça, e que teria prestado serviços para o Instituto Atlântico. "Ele mandou e-mail para todas os secretarias da prefeitura. Eu devolvi o e-mail dizendo que: que você tenha sucesso na sua demanda judicial", comentou.